Descarte irregular de RSU persiste em 9 em Cada 10 Municípios, Alertam Especialistas

O descarte irregular de resíduos sólidos persiste em até nove em cada dez municípios brasileiros, apesar da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Estima-se que 41,2% do lixo urbano ainda é destinado de forma inadequada, espalhando-se por ruas e terrenos. Iniciativas como a conteinerização têm se mostrado eficazes, organizando o descarte, reduzindo impactos ambientais e melhorando a higiene das cidades.

A destinação adequada de resíduos sólidos urbanos ainda é um desafio para a maioria dos municípios brasileiros. Embora a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) tenha estabelecido prazos para a erradicação dos lixões, milhares de cidades continuam sem cumprir as metas de coleta, tratamento e destinação final adequada.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 31,9% dos municípios brasileiros ainda despejam resíduos sólidos em lixões, uma forma de disposição considerada ambientalmente inadequada.

Apesar de o número oficial representar cerca de 3 em cada 10 cidades, especialistas afirmam que o problema cotidiano é mais amplo. “Quando olhamos para o lixo espalhado nas ruas, praças, córregos e terrenos baldios, percebemos que a situação vai muito além da destinação final. Na prática, é possível dizer que nove em cada dez cidades brasileiras ainda convivem com o descarte irregular. É um problema visível e diário”, afirma Márcio Welsh, diretor comercial da Contemar Ambiental empresa especializada em conteinerização no Brasil.

De acordo com a Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (ABREMA), 41,2% dos resíduos urbanos gerados no país são destinados de forma inadequada. O dado reforça que, mesmo nas cidades com coleta regular, parte expressiva do lixo não recebe tratamento ambientalmente correto.

Apesar do cenário desafiador na gestão de resíduos sólidos no Brasil, algumas iniciativas têm se mostrado capazes de transformar essa realidade. A adoção da conteinerização, ou seja, a implantação de contentores padronizados e resistentes substituindo lixeiras improvisadas ou sacos soltos nas calçadas, tem sido apontada como estratégia eficaz em diversas cidades brasileiras. Em Lençóis Paulista (SP), estudo de caso demonstrou que a combinação de conteinerização e coleta mecanizada permitiu avançar no desenho de boas práticas para municípios. Em Itabira (MG), projeto‑piloto com 124 contentores identificou uma redução de cerca de 35% no consumo de combustível e 85% menos acidentes no trabalho com a nova logística.

Esses exemplos reforçam que a conteinerização auxilia na organização do descarte, na logística reversa e na destinação adequada dos resíduos, além de evitar o espalhamento por intempéries ou animais, melhorando significativamente a aparência e a higiene das vias públicas quando implementada com planejamento e monitoramento eficientes.